Mostrando postagens com marcador Poetizando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poetizando. Mostrar todas as postagens

12/05/2015

Poetizando: A Bailarina (Cecília Meireles)


Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
_____________________________________________________________________
 Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 1901 e faleceu na mesma cidade em 1964. Professora, educadora, jornalista, escritora e tradutora, é principalmente conhecida por sua obra poética. O livro Ou Isto Ou Aquilo, dedicado à infância, foi pioneiro no gênero e ainda é considerado o mais marcante da literatura brasileira para crianças e jovens.




♥ Nos acompanhe nas redes sociais:

22/03/2015

Poetizando: A lua no cinema (Paulo Leminski)


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor
que até hoje a lua insiste:
— Amanheça, por favor!

______________________________________________________________________
Paulo Leminski nasceu em Curitiba, em 1944. Foi poeta, romancista, tradutor, compositor, biógrafo e esaísta - além de faixa preta de judô. É autor de Distraídos venceremos, Catatau, Bashô, entre outros. Suas composições foram gravadas por diversos artistas, entre eles Caetano Veloso, Ney Matogrosso e Itamar Assumpção. Morreu em 1989.



♥ Nos acompanhe nas redes sociais:

09/12/2013

Soneto de Fidelidade

daqui


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes)


14/11/2013

O seu nome (Uma canção só pra você)

daqui

Eu já nem sei o que escrever
sobre você e algo a mais.
Já escrevi tanto sobre amor,
e vou acabar escrevendo mais.

E já tentei de mil maneiras,
se parar, vai perceber
que de cada 6 canções
7 são para você.

Já terminou o meu estoque
daquelas frases bem discretas,
você vai ter que perceber
que você é o motivo destas.

Eu não sei se vai se importar
com o que escrevo e o que eu sinto.
O meu caminho até você
já se tornou um labirinto.

Não sei o que vou fazer
se você me corresponder,
mas tô aqui e o que eu mais quero
é me declarar para você.

E no final desta canção,
se você não se convenceu
que este alguém que eu tanto falo
não é ninguém, é só você:

É justamente o seu nome
que nomeia esta canção
E toda vez que eu o vejo
dispara o meu coração.

Pode até parecer confusão
que eu tô fazendo dentro do meu coração.
Eu não sei se você vai me entender,
mas é tudo sincero o que escrevi para você.

E mesmo que isso tudo não dê em nada,
eu acabei de declarar:
tô totalmente apaixonada
por você!


Quem quiser acompanhar o Ficcionalmente Real é só seguir: Twitter e Fanpage


12/11/2013

Internus



E o que hei de fazer
com as metades 
que sou?

Não me tenho no início
não me encontro no meio
e nem mesmo no fim!

Estou no entremeio 
do meio que parte
de onde não sei!

Virei-me num nó 
sem fim, sem fundo 
e com fardo confuso!

Sou nó infinito
do infinito 
de mim! 


 Este poema foi escrito por Vanessa Vieira. Quer ver seu poema na coluna Poetizando? Envie um e-mail para ficcionalmentereal@gmail.com 

09/11/2013

Enquanto amava...


Escrevia o meu nome com o teu, para ver se combinava.
Escrevia canções, contando um romance que só existia entre os refrões.
E ouvia as canções na rádio, que tanto pareciam terem sido escritas para nós.
Um “nós” que eu havia inventado.

Enquanto amava fazia planos com você todas as noites
e durante elas até chorava.
Enquanto eu te amava, sofria
e na sua frente sorria.
Idealizava uma vida com você

e você... Vivia.



30/10/2013

Retratos

daqui

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

(Cecília Meireles)


10/10/2013

Motivos

daqui




Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.


(Cecília Meireles)


15/09/2013

As sem-razões do amor

daqui
Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça

é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)



01/08/2013

Ao nascer iniciamos o caminho da ida

daqui

Ao nascer iniciamos o caminho da ida
percorremos vibrantes
mesmo não consciente do lume
que a aura dispõe
vivemos sorrindo, vivemos chorando
sempre na vida a viver pensando
no mais íntimo pensamento
guardando a saudade no fundo
sonhando, sonhando e sonhando mais
as ilusões alimentando
até chegarmos ao cais
e percebermos que a dor
é o caminho voltando.
Todo o tempo
girando sobre o mesmo eixo
girando
como se tudo fosse
estático em torno dos sonhos.

(Poesia extraída do livro A Árvore e a Fogueira de Ricardo de Sá.)

17/04/2013

Poetizando: apresentação

 Nesses últimos meses estive lendo alguns blogs e percebi que alguns blogueiros gostam muito de escrever poemas. Apesar de começar a ganhar  seu (mínimo) espaço na blogosfera agora, o poema ainda não recebe seu devido valor, por não despertar interesse na maior parte dos leitores. Por isso resolvi criar uma nova coluna para o Ficcionalmente Real, chamada "Poetizando". Nela serão publicados poemas tanto de escritores de sucesso, quanto de leitores do blog. Acho que dessa forma, quem gosta de escrever nesse estilo poderá compartilhar seu trabalho com outras pessoas, e quem sabe conquistar um espacinho na blogosfera através de uma arte tão linda. Portanto, se você escreve poemas e está afim de mostrá-lo aqui, envie um e-mail para:

ficcionalmentereal@gmail.com

com nome, seu poema, blog (se tiver), e informações adicionais (foto, redes sociais, etc).
 Estou aguardando! (:
 

criado e codificado para o blog ficcionalmente real
cópia proibida © 2015