Admito que pensei um pouquinho antes de vim falar desse filme pra vocês. É que sabe aquele papo de ciúme musical? Então, comigo, ele se aplica a filmes também! Se alguém me perguntar agora qual é o meu filme favorito, acho que não vou pensar duas vezes antes de responder: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.
Depois de assistir ao filme três vezes, e assistir também ao curta, me dei conta de que o mundo inteiro precisa conhecer essa história! ♥
A produção de Daniel Ribeiro, protagonizada por Ghilherme Lobo, Fabio Audi e Tess Amorim, é consequência do enorme sucesso obtido com o curta-metragem Eu Não Quero Voltar Sozinho, de 2010. Ambos contam a história de Leo (Ghilherme Lobo), um jovem cego que, no auge da sua adolescência, lida com a busca por sua independência e a descoberta do primeiro amor.
Por ter nascido cego, Leo sempre precisou conviver com a superproteção da mãe e também de Giovana (Tess Amorim), sua amiga inseparável que sempre o defende com unhas e dentes. Gi, é uma menina doce, engraçada e a maior companheira de Leo. Todo o seu cuidado e proteção são apenas demonstrações de carinho e preocupação.
Com a chegada de Gabriel (Fabio Audi) à escola, Gi vê sua amizade com Leo ameaçada, já que passa a dividir espaço e atenção com o jovem recém-chegado do interior. A aproximação de Gabriel, desperta em Leo novos sentimentos, e o jovem começa a descobrir mais sobre si mesmo e sua sexualidade.
Apesar das crises de ciúmes, os três se descobrem grandes amigos e vivem juntos as alegrias e durezas que é ser adolescente. Com ternura e cumplicidade desabrocha o amor entre Leo e Gabriel, e se fortifica a confiança e amizade com Giovana. Os temas: amizade, independência e primeiro amor são abordados de forma pura, sensível e bastante natural.
Uma das coisas que eu mais gostei no filme é o fato do personagem principal não ser estereotipado como "o menino cego" ou "o menino gay". Em nenhum momento Leo é vitimizado por sua deficiência. A trama também aborda com doçura a homossexualidade (fugindo da apelação) e não sexualiza os personagens. É clara a ideia de que o que está sendo retratado é simplesmente a experiência do primeiro amor, independente se esta é hétero ou homossexual.
O longa conta com uma trilha sonora apaixonante e algumas composições produzidas pelo próprio intérprete de Gabriel. A escolha do elenco também está aprovadíssima! O trio tem uma química muito boa, além de atuarem de forma leve e natural, sem exageros. Em sua estreia no cinema, Ghilherme Lobo atua de forma excelente! Quando vi o filme pela primeira vez, achei que ele fosse cego de verdade! Em uma entrevista que assisti recentemente com o elenco, Ghi contou um pouco sobre sua preparação para dar vida a Leo, ainda na época do curta quando tinha 14 anos. Ele aprendeu a ler e escrever em braile (sendo assim, tudo foi escrito e lido de verdade pelo ator nas cenas em que Leo faz isso), e tanto ele quanto Fabio e Tess tiveram aulas de como guiar e ser guiado.
Por esses e outros motivos, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é sucesso dentro e fora do Brasil. Já foi premiado tanto pelo público quanto pela crítica, e tamanho retorno positivo de ambos os lados só nos mostra que o cinema nacional ainda tem muito a oferecer.
P.S.: Há uma enorme expectativa por uma continuação, porém o diretor e roteirista Daniel Ribeiro falou que só pretende fazê-la daqui a mais ou menos dez anos, para então, quando os personagens já estiverem na fase adulta, poder contar se Leo e Gabriel continuam juntos, o que aconteceu com Giovana, e se a relação do trio permanece tão intensa quanto aos 16/17 anos.
Espero que tenham gostado de conhecer um pouquinho dessa história linda! Me contem: já viram Hoje Eu Quero Voltar Sozinho? O que acharam?
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